É incrível a lata das pessoas, de saberem há meses, ou semanas que tinha férias marcadas e a 2 dias da partida, solicitam-me que não vá, pois a obra precisa de mim.
Apesar do muito que queria ir e ver pessoas que há 3 meses não vejo, há 3 meses que desejo abraçar, beijar, apertar a mão, aceitei fazer este sacrifício em prol do bem da empresa, pois se ela precisa de mim para facturar eu também preciso dela para receber o meu ordenado.
Tu, (independentemente de quem seja) Não sonhas nem um pouco as vezes que te imaginei a minha espera no aeroporto, o reencontrar novamente a(s) pessoa(s) que ama-mos, que desejamos ter em casa a espera, que sonhamos com o abraço a noite, que sonhamos fazer actividades e desportos que alguns apelidam de loucos, não sonhas os copos que desejei beber contigo! De facto agora ocorrem-me todos os nomes e faces a quem este paragrafo se destina e as lágrimas vieram espreitar pelo canto do olho.
E assim aceitei, não ir de férias com a partida definitiva marcada para 14 de Novembro, o que implica aqui ficar mais 2 meses! O que perfaz um total de 5 meses, sem vos ver…
Na sexta de manhã, dia em que supostamente o meu avião partia, e o facto é que ele partiu sem mim, sobrevoou-me enquanto eu estava no transito, senti o roncar dos motores ainda na descolagem e imaginava-me lá, aqui não consegui conter as lágrimas, em pleno transito escorriam pela face….relembrando que mais uma vez não vos iria ver por mais 2 meses, que nada do que eu passei 3 meses a planear fazer o ia puder fazer, que os motivos que me fazem querer partir iriam ser dolorosamente adiados por mais 2 meses.
A muito custo o dia passou, mas a noite….acabei por adormecer tarde e consequentemente acordar tarde.
Acabei por ir almoçar com o pessoal ao “cantinho do sossego” um local que ninguém conhecia, enfiado bem dentro do musseque, mas que de facto é um sossego e um óptimo local de convívio, o almoço foi prolongado, regado com 6 garrafas de gazela, seguiu-se um fim de tarde de compras a 4, foi giro tinha sempre alguém a guardar o carrinho.
O jantar foi num condomínio vizinho, com piscina e excelente companhia, onde 6 pessoas arruinaram uma grade de cerveja em menos de nada e depois claro….vestidos para a piscina.
Houve ainda tentativas de fazer dos candeeiros de iluminação o “barão” de strip, mas acabou por se arrancar os parafusos e empenar o objecto. (convém dizer que não fui eu)
Ai……o que o álcool faz…..
A noite acabou por terminar no MIAMI, com uma frustração devido ao ambiente, cheio de mangueiras, música de greta e um DJ de merda.
Domingo de ressaca e jantar bem acompanhado num espaço muito ao estilo moderno, ao nível do melhor que há na tuga, mas claro com preços…..
Dasabafo sentido para todos, perdoem a filosofia…
Triste e solitário é como me encontro, pois apesar de estar rodeado de pessoas novas e excelentes, sinto-me só….
Tenho embalado a noite, na esperança que cada dia chegue mais rápido
A ventania que por mim passa, na qual olho nos olhos e desafio em como não me deita abaixo, mas as forças de lutar contra o vento estão a terminar.
Sim, estou preso de saudade, apesar de ainda não estar esquecido nos vossos corações, sinto-me dominado pelas circunstâncias da vida.
Adoro passar low profile, escondido entre as sombras do montado, porém esta semanas todas as forças se foram, toda a vontade se eclispou
A chuva que tem caído estes dias, apenas ajuda na terra as plantas a renascer, a mim apenas me humedece a pele, não fazendo com que nada cresça, pois ainda não apodreceu o capim que a ceifeira mutilou, durmo em velhos sonhos, existindo na alma a mágoa enorme, intensa e aguda.
Adorava “morrer” e nascer de novo, semear ainda no capim que não apodreceu para que fertiliza as sementes, para que um dia volte a colher.
Há que sofrer para aprender a viver, pois a vida não é simplesmente existir sem mais nada, a vida não é dia sim, dia não.
È uma entrega alucinada para recebermos o que aumenta o coração…
Origem: Mafalda Veiga, Restolho